Quem é Zé Radiola

Do surfe profissional ao pioneirismo do Jiu-Jitsu em Pernambuco

José Olímpio da Rocha, conhecido em todo o mundo do Jiu-Jitsu simplesmente como Zé Radiola, é uma daquelas figuras cuja história não cabe em uma única linha do currículo. Ex-surfista profissional, mestre de capoeira e faixa-preta de Carlos Gracie Junior, ele é o nome por trás da academia que transformou Pernambuco em um dos celeiros mais produtivos de talentos do grappling brasileiro.

O essencial em seis linhas
Retrato oficial do fundador — em falta no acervo
Nome completo
José Olímpio da Rocha

Apelido
"Zé Radiola"

Faixa-preta de
Carlos Gracie Junior

Equipe atual
ZR Team (fundada em 2016)

Alunos de destaque
Bráulio Estima, Victor Estima e Otávio Sousa

Linhagem
Mitsuyo Maeda
Carlos Gracie
Hélio Gracie
Carlos Gracie Junior
José Olímpio
  • Por que "Radiola"

    Um braço que virou nome

    O "Zé" é o diminutivo natural de José. Já "Radiola" tem uma explicação bem mais peculiar: ainda criança, Olímpio sofreu um acidente que deixou sequelas permanentes em um dos braços, que nunca soldou corretamente e ficou com uma angulação incomum. As pessoas ao redor passaram a comparar o formato do braço ao braço mecânico de uma radiola — a agulha do toca-discos. O apelido pegou e nunca mais saiu.

  • A trajetória antes do Jiu-Jitsu

    Do mar de Jaboatão ao primeiro tatame em São Paulo

    Zé Radiola cresceu em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. Morando perto da praia, o mar virou extensão da infância: ele começou a surfar cedo, mostrou talento rápido e virou profissional ainda adolescente — chegando, em determinado momento, a figurar entre os 16 melhores surfistas do Brasil.

    A rotina de competições exigia viagens constantes, e foi nesse vaivém que ele se aproximou de outra manifestação genuinamente brasileira: a capoeira, na qual chegaria à graduação de mestre.

    Foi também em uma dessas viagens, em São Paulo, que ele teve o primeiro contato com o Jiu-Jitsu brasileiro. A paixão foi imediata.

  • 19961996 — a volta para Pernambuco

    Onde não havia academia, ele construiu uma

    Quando voltou para Pernambuco, em 1996, Zé Radiola já era faixa-azul — mas havia um problema: praticamente não existiam academias de Jiu-Jitsu perto de onde ele morava. Em vez de desistir, ele resolveu criar a estrutura que faltava. Abriu a própria academia em um terreno que pertencia ao pai e batizou o projeto de Free Style.

    Consciente das próprias limitações naquele momento, convidou Charles dos Anjos — mais experiente e mais graduado que ele — para assumir o posto de instrutor sênior.

  • A porta que um seminário abriu

    De Free Style a Gracie Barra Pernambuco

    Em paralelo, Olímpio conheceu Carlos Gracie Junior em uma competição e o convidou para ministrar um seminário em Pernambuco. Aquele workshop abriu uma porta: a partir dali, Zé Radiola passou a viajar regularmente ao Rio de Janeiro para treinar com Carlinhos, e a equipe pernambucana passou a se chamar Gracie Barra Pernambuco.

    Com o tempo, Charles dos Anjos deixou a academia e se mudou para os Estados Unidos. Zé Radiola, então ainda faixa-roxa, assumiu integralmente o comando das aulas.

  • O que formou os campeões

    Não foi só a técnica

    O que fez a diferença não foi apenas a técnica. A generosidade de Zé Radiola marcou profundamente a equipe: ele corria atrás de patrocínio para os atletas, se dedicava de forma quase obsessiva ao acompanhamento individual dos alunos e construiu um ambiente em que competir de igual para igual com as grandes academias do Sudeste deixou de ser sonho distante.

    O resultado apareceu nos pódios. Diversos alunos formados sob sua orientação passaram a se destacar nos torneios mais importantes do mundo — entre eles Bráulio Estima, Victor Estima e Otávio Sousa, todos nomes de peso no cenário internacional.

    Não por acaso, praticantes de vários países que passaram pela academia costumam descrever a experiência menos pelo nível técnico (que já é alto) e mais pelo tratamento humano: aperto de mão, atenção pessoal e convite para voltar.

  • 20162016 — caminho próprio

    A equipe que leva as iniciais dele

    Em 2016, após desentendimentos internos com a direção da Gracie Barra, Zé Radiola decidiu seguir caminho próprio. Deixou a organização e fundou a sua própria equipe, a ZR Team, dando continuidade ao trabalho que havia iniciado décadas antes em um terreno de família no interior de Pernambuco.

  • O fecho

    Fez o Jiu-Jitsu existir onde ele não existia

    Zé Radiola não é lembrado por títulos de competidor — sua ficha de conquistas como atleta sequer é o ponto central da história. Ele é lembrado por ter feito o Jiu-Jitsu existir onde ele não existia, e por ter formado gerações de campeões a partir do zero.


Texto redigido a partir do perfil publicado pelo BJJ Heroes (bjjheroes.com).